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  Conte sua históriaJapinha Ricardo Di Roberto › Minha história

Japinha Ricardo Di Roberto

São Paulo / São Paulo - Brasil
34 anos, músico

A loja da avó tinha roupa, pipa e fogos de artifício


O que eu sei é que meus bisavós desambarcaram no porto de Santos em 1918. Vinham de Okinawa, a bordo de um navio chamado Wakasa. Chegaram aqui com uma mão na frente e outra atrás, uma malinha de roupa e bem pouco dinheiro. Foram logo para o interior, para a região de Matão, trabalhar nas plantações de tomate e algodão. Era tudo muito duro: não havia conforto, a alimentação era precária, a comunicação era praticamente impossível. Muita gente desanimou, voltou. Mas meus bisavós resolveram permanecer. Tiveram fibra e coragem para encarar essa bronca.

O mais legal disso tudo é que, pela persistência, meus bisavós puderam sobreviver e dar condições para que meus avós se desenvolvessem. E, de lá para cá, houve só progresso. Vejo pela minha mãe, que é a terceira geração da família aqui no Brasil. Apesar de ela não ter ficado rica, conseguiu fazer uma faculdade, saiu da roça (Veja o vídeo em que o Japinha fala sobre o progresso de sua família no Brasil).

Eu só conheci a minha avó, Luzia – cujo nome, na verdade, era Hume. Passei até boa parte da minha adolescência sendo “criado” por ela. Meus pais viviam deixando a gente com ela, para trabalhar, para sair, para viajar. Nós éramos três irmãos e mais um primo que morava com a gente, ou seja, quatro moleques tocando um terror aqui em casa. Então meus pais sempre pediam ajuda para ela. Ela era tão apegada a nós que, quando a gente ia embora, ela se despedia chorando de saudades antecipadas.

Quando minha avó veio do interior para São Paulo, ela abriu um bazarzinho onde vendia milhares de coisas: roupa, pipa, fogos de artifício. Era uma daquelas lojas de japonês que vende de tudo. Quando a gente chegava lá, era uma festa. A gente pedia linha e papel para fazer pipa, bombinha para soltar na rua, e a minha avó vivia dando.

Como o comércio dela não dava muito dinheiro, ela vivia numa casa humilde, lá no Parque São Lucas. Tinha só uma cama de casal, e nossa batchan, toda acolhedora, punha os quatro moleques para dormir na cama com ela. E a gente vivia super bem, super feliz. Criança, né? Não tem tempo ruim.

Eu vivia pedindo para a minha avó ensinar japonês para mim. Mas ela tinha uma certa dificuldade de ensinar as coisas para a gente, até pela pouca cultura que ela adquiriu. Minha avó nasceu na roça, tinha pouca educação. O que ela aprendeu de japonês foi com os pais dela. Ela até tentava ensinar, mas tinha que ser na raça. Eu pegava o que ela falava e anotava num papelzinho. Quando eu estava começando a aprender, com uns 12 ou 13 anos, ela faleceu. Para mim hoje seria ótimo saber falar o idioma japonês. Mas o pouco de cultura que ela passou para a gente – a religião, a culinária, a educação, o respeito –, isso tudo a gente tem até hoje. (Assista ao vídeo em que o Japinha fala sobre a sua avó).

Depoimento ao jornalista Xavier Bartaburu
Fotos: Carlos Villalba e arquivo pessoal de Ricardo Di Roberto
Vídeos e áudios: Estilingue Filmes


Enviada em: 14/05/2008 | Última modificação: 16/05/2008
 
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Comentários

  1. ZEM @ 18 Mai, 2008 : 23:21
    O elemento ZEN. hehe. Muito legal essas histórias Ric. Adorei as fotos antigas e os cartazes que a Luzia preparou com tanto carinho. FIcou super legal a matéria inteira. A família toda está de Parabéns. Amo todos aí. Obrigado por tudo. Beijão a todos. ;)

  2. Paula @ 29 Mai, 2008 : 20:16
    Oi Japz. Apesar de ser brasileira, sou apaixonada por essa maravilhosa cultura japonesa. Hj meu maior objetivo é me especializar na lingua japanesa. E seguir ao encontro da amada Terra do Japão. Tenho uma grande admiração pelo Brasil, mas sinto que eu tenho uma ligação muito grande com o Japão. Adorei sua historia.Materia ficou sensacional Mil Beijinhos para toda a familia.

  3. Lúú! @ 6 Jun, 2008 : 14:37
    Comeceei a me interessar pela cultura japonesa graças ao Japinha...Minha paixão por coisas e pessoas orientais partiu do dia em que vi ele na TV pela primeira vez! :D

  4. Francielle Drago @ 7 Jun, 2008 : 21:19
    Adoreii a materia, é muito bom saber um pouco mais da historia de vida, de um pessoa q amamos tanto... poder ouvir relatos da sua infancia, ver fotos... Japinha o musico q faz nosso coração bater no compasso da sua bateria, mas alem de tudo o Ricardo, homem q admiramos pela forma de ser e agir. beijos Rick , beijos familia Di Roberto

  5. Akira [-.-] @ 11 Jun, 2008 : 13:34
    Falaaaeee japinha, blz mano!! Cara, massa seu depoimento, parabéns!!!... lendo os textos fica nítido o cara humilde que você é... continue sempre assim. Força, paz e muita saúde véio... você merece!!!!! Abraço, vamo torce muito pro timão hoje a noite.... huhauhauhauha... ae, vou mandar o link pro Nei... ele não deve ter visto... eu entrei por acaso, vi sua foto, acabei me interessando e lendo quase tudo... preciso voltar a trampar, depois eu termino de ver tudo... srrsrs..

  6. Maiara @ 13 Jun, 2008 : 19:27
    Muito bom ! Acho a cultura Japonesa muito rica! Adorei saber um pouco mais sobre ela com os depoimentos do meu grande ídolo! Beijão!

  7. gabriel @ 4 Jul, 2008 : 11:58
    as panelas da sua mãe é boa!

  8. Japa Loko @ 23 Jul, 2008 : 10:52
    Pô bicho ! Que coisa estranha. O último post de tua página foi dia 4 de julho e no entanto tu tá sempre aki na capa. Geralmente neguinho só vem pra frente quando alguém deixa algum comentário ou quando a página é atualizada. A tua tá igualzinha como no início, japa ! Todo dia eu chego aki e vejo tua cara estampada. Ego trip é pouco!

  9. kody yoko @ 11 Ago, 2008 : 10:54
    como se faz uma pipa japonesa?

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