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Conte sua história › MARIO KATSUHIKO KIMURA › Minha história

Nasceu em Hiroshima no ano de 1913, terceiro filho de Toyoyaro Kawamoto e Kisse Kawamoto. Seu pai era lenhador do interior e Kumaiti costumava acompanhá-lo nos serviços, porém o seu pai, talvez tendo premonição, pediu para não fazer companhia no dia fatídico em que veio a falecer por debaixo de uma árvore que acabara de derrubar, no topo da montanha. Tinha então o Kumaiti apenas oito anos de idade.
Quando tinha quatorze anos de idade, sozinho mudou-se para a capital (Tokyo), quando teve experiência de atuar numa famosa fábrica de doces ¨Sumidaya¨, que era okashiya-sam que até fornecia seus produtos para o Palacio Imperial, tendo a primeira experiência como auxiliar de confeiteiro/doceiro. Na capital teve também a oportunidade de freqüentar uma escola de desenho e teve a sorte de contar com os ensinamentos do mestre ¨Laisho-sensei¨, famoso desenhista da época e de Uta Dokan, considerado mestre dos mestres. Residiu nessa época ao lado da Escola Naval Kaikun-hei-gasco.
Com o desenvolvimento do seu tino como desenhista especializou-se em desenhos da natureza, tais como vegetais: suzulan (orquídeas), Bará (Rosa), minerais tais como rocha, cachoeira e água, desenhou também animais, notadamente Laion (Leão).
Além do desenho, gostava muito de escrever, conta que escrevia ¨haiku¨ e ¨senriyu¨, que deve ser poema e poesia, fazia também algumas esculturas, sempre aproveitando as folgas, principalmente em dias chuvosos em que não podia atuar na roça, quando decerto buscava maior inspiração.
Chegou a participar de vários concursos e utilizava o nome artístico de HOORAN.
Por ser introspectivo não acreditava em sua capacidade oratória, porém aceitava prontamente o desafio de escrever discursos para terceiros, para quaisquer eventos.
Conta que um de seus poemas foi premiado num concurso, cuja apresentação feita por sua sobrinha Yuriko Kawamoto.
A sua vinda de Hiroshima para o Brasil, também ocorreu por força da situação econômica financeira do Japão, pós depressão de 1929, por volta de 1932. Veio em companhia de seus dois irmãos Tomoiti e Satomi, deixando para trás sua mãe Kisse e irmãos (Kiyomi e Yuiti).
Fixou-se na região de Jataí PR e posteriormente em Assaí PR, onde veio a conhecer a Shizuko Kimura com quem consorciou-se por volta de 1937. Atuou sempre nas lides rurais.
Tinha por costume, aproveitando-se de sua ida à cidade para compra de mantimentos, levar ora um filho ora outro e nessas ocasiões levava-os a restaurantes (udon-yá), comportamento não usual para os imigrantes da época.
Em Assai PR teve oito filhos. Em decorrência da forte geada de 1955, mudou-se para Maringá PR para arriscar como doceiro/confeiteiro, mudança ocorrida de trem (maria-fumaça).
Conta que durante a longa espera da locomotiva na estação, convidou a família para almoçar junto a um restaurante de Jataí PR, comportamento muito raro para chefe de família da época.
Consta que quando a filha Eliza pediu ao pai para fazer uma poesia dedicatória, este prontamente escreveu ilustrado por desenho de uma árvore na rocha de uma cachoeira ¨IWA NIMO KI WA HAERU. LEIKO YO (ELIZA) FUKAKU NE O OROSSE¨, bastante profundo que traduzindo fica mais ou menos isso ¨Uma árvore nasce até em rochedos, portanto Leiko (filha), aprofunde cada vez mais as suas raízes¨.
Para a filha mais velha Keiko preferiu desenhar o trevo de quatro folhas e em cada folha escreveu: ¨KIBOU¨= esperança; ¨¨SHINKOU¨=religião/crença; ¨AIDIYOU¨=amor e ¨SATI¨= felicidade.
As filhas pouco entenderam o significado à época e somente agora depois de idade avançada é que começam a entender a profundidade das frases.
Se de um lado era uma pessoa calma, bondosa e costumava tratar os filhos com carinho, demonstrou também, por outro lado, ser uma pessoa difícil, teimosa e até fanática. Pertenceu a ala dos imigrantes que não acreditava/aceitava que o Japão tivesse sido derrotado na Guerra (KATI-GUMI). Não respeitava e aceitava sequer a opinião de sua esposa.
Seu sonho, como o da maioria dos imigrantes, decerto era de retornar para o Japão e os dois primeiros filhos (Atsushi e Keiko) foram registrados no consulado e possuem dupla nacionalidade.
À época, chegou a impedir que os primeiros filhos freqüentassem a escola brasileira e exigia que estudassem NIHONGO e chegou a comprar lampião a gás para pessoalmente lecionar a língua japonesa.
Depois do fracasso no comercio/confeitaria em Maringá PR, mudou-se para Cianorte PR, onde atuou como empreiteiro do Shinae-sam, em um sitio entre São Tomé e Cianorte PR, sitio onde nasceu o seu filho caçula (Wilson Teruo Kimura).
Gostava também de pescar, construía suas próprias redes e tarrafas.
Quando residia em Assai PR, ia até sozinho pescar no rio Tibagi, somente em companhia do seu cavalo ¨Dourado¨, chegando a pernoitar de sábado para domingo, só retornando domingo a tarde.
Gostava muito de bebida alcoólica, tomava pingas (Oncinha, São Jorge, Tatuzinho, dentre outras) e fumava muito (Urca, Mistura Fina e até fumo de corda).
Em Cianorte conseguiu companheiro de pescaria de nome Uchida-sam que tinha comercio de secos e molhados na cidade, seu companheiro até a ultima pescaria ocorrida em 26/03/1960, quando faleceu levado pelas águas do rio Ivaí, morte prematura aos 47 anos de idade.
Tinha então o protagonista desta narrativa apenas nove anos de idade.
Narrativa enriquecida com depoimento da Keiko Kimura Kuniwake, segunda filha de Kumaiti.
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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil